O perigo de parecer um blogueiro quando você é um especialista.
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Um profissional com vinte anos de carreira grava um vídeo dançando com legendas piscando na tela porque leram para ele que aquilo entrega mais. O vídeo funciona: alcança muita gente. E, ainda assim, a agenda não muda. Pior: alguns clientes antigos comentam, meio sem jeito, que acharam diferente.
O que aconteceu ali tem nome. O formato entrou em contradição com a competência, e quando isso ocorre, o público acredita no formato.
Formato é linguagem. Antes de ouvir o que você diz, a pessoa já classificou o tipo de profissional que você é pela embalagem da mensagem. Isso acontece em segundos e de forma automática. Nenhum argumento posterior desfaz completamente essa primeira classificação.
Existe uma diferença entre ser acessível e ser trivial. Acessível é explicar um conceito difícil com clareza, sem jargão desnecessário, respeitando a inteligência de quem escuta. Trivial é reduzir a sua área a um truque de dez segundos para agradar um algoritmo.
A acessibilidade aumenta a autoridade porque demonstra domínio: só explica com simplicidade quem entendeu de verdade. A trivialidade destrói autoridade porque sugere que o seu trabalho cabe em dez segundos. E se cabe em dez segundos, por que custaria caro?
Existe também a questão do público que você atrai. Conteúdo trivial atrai audiência ampla e pouco qualificada, gente que consome pelo entretenimento e nunca contrata. Você passa a trabalhar para manter uma plateia que não é o seu cliente, e o custo disso é o seu tempo, que é o seu ativo mais caro.
Isso não significa ser sisudo, distante ou entediante. Significa escolher registros compatíveis com o que você vende. Você pode ser humano, contar bastidores, mostrar rotina, ter humor. O critério é outro: em nenhum momento o material pode sugerir que o seu conhecimento é raso.
A pergunta prática, antes de publicar qualquer coisa, é esta: se o meu cliente mais exigente visse isso, ele me respeitaria mais ou menos do que respeita hoje? Se a resposta for menos, o alcance daquele conteúdo não compensa. Alcance que custa reputação é o tipo mais caro de alcance que existe.
Quando o formato contradiz a competência, o público acredita no formato.